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mar 15

As tentações atingem a nossa humanidade

Tentação-3

Quando nos deparamos com o capítulo 4 do evangelho de Mateus, encontramos ali algumas informações que, por vezes, queremos deixar de lado. Todo cristão, independentemente de sua tradição, acredita que Jesus é Deus. Neste capítulo, porém, encontramos este mesmo Jesus que é Deus, sendo humano.

Diante do suposto paradoxo entre essas duas naturezas, fazemos a escolha que parece caber mais confortavelmente nas nossas mentes e corações. Olhamos Jesus vencendo o tentador como Deus, mas ignoramos seu momento mais humano, quando depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, simplesmente teve fome.

As tentações de Jesus mostram claramente que naquele momento, o que estava sendo atacado era sua humanidade.

Transformar pedras em pães seria um milagre digno de Deus, mas o resultado só serviria para uma coisa: aplacar a fome de um homem. Deus não tem fome. Além de prover a fome, esta tentação mostraria o quanto humano Jesus era em querer provar sua identificação com Deus a alguém que com certeza já havia presenciado esta identificação nas palavras “esse é meu filho amado…”

Lançar-se do ponto mais alto do templo na certeza de que daria ordens aos seus anjos e, garantido pelas escrituras, não sofreria dano, é de novo uma ação Divina, mas o resultado da obediência dos anjos a essa ordem, também só serviria para uma coisa: salvar a vida de um homem. Deus não morre. Além de prover segurança na queda, esta tentação estimulava o desejo do ser humano de estar no controle de todas as coisas –  “eu mando, os anjos obedecem” – isto era o que pensava o tentador sobre a atitude a ser tomada por Jesus.

Contemplar todas as glórias do mundo, com suas infinitas riquezas, é algo que Deus faz desde o dia em que criou essas glórias, mas prostrar-se diante de outra pessoa que não é Deus para obtê-la, é uma ação puramente humana.

Nem sempre passamos quarenta dias e quarenta noites sem nos alimentar, mas todos os dias somos tentados a ouvir a voz da nossa escassez diária, da nossa necessidade fisiológica, no sentido de creditar a essa voz um poder maior que a voz do Eterno.

Nem sempre estamos na perspectiva de nos lançar de um lugar alto do templo, mas estamos sempre querendo mandar em alguém, querendo estar no lugar mais alto do templo, para desta forma, nos sentirmos melhores e maiores que alguém, de modo que nossa vontade seja realizada plenamente.

Nem sempre estamos diante de todas as glórias do mundo, mas sempre somos levados a desejar todas elas, nem que para isso tenhamos que nos prostrar diante daquele que nos seduz a sermos dominados pelas riquezas.

A tentações atingem a nossa humanidade.

Não venceremos a tentação porque oramos e jejuamos, mas venceremos quando, de posse da palavra de Deus, negarmos uma a uma, na certeza de que com Deus é sempre melhor do que com qualquer outra pessoa.

O resultado de não cedermos às tentações é ser servido por Deus. A escolha será sempre nossa.

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