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jul 29

Celebração matrimonial de Michel e Jessica

Eu nunca me imaginei celebrando um casamento, mesmo que minha vocação ao sacerdócio fosse algo que me acompanhava desde há muito tempo. De certo que imaginava cuidando de pessoas, mas nunca em um momento como o do casamento.

Sem imaginar, acabei fazendo a celebração de casamento de Michel E Jessica. Para quem não esteve lá, compartilho aqui algumas palavras que foram ditas.

Quando Jessica me chamou para falar alguma coisa e dar uma benção, ela disse que queria que fosse eu, pois tinha certeza de que eu sairia do lugar-comum de todos os casamentos.

Pensando nisso, no pequeno púlpito preparado para a ocasião, estavam colocadas três velas. Chamei a Lya e Dalila, mães dos noivos, para acendessem cada uma vela, simbolizando a vida que deram para gerar, nutrir e criar seus filhos.

Além disso, compilei o que chamei de Leitura bíblico-poética. E assim, intercaladamente, lemos o que se segue:

Leitura bíblico-poética intercalada

Todos: Grandes coisas fez o Senhor por nós. Por isso estamos alegres.[1]

Noiva: O meu amado é meu e eu sou dele.[2]

Noivo: Quem encontra uma esposa encontra algo excelente; recebeu uma bênção do Senhor.[3] Vou confessar que era eu aquele azul sem fim, que você mergulhou. Me disfarcei de mar Pra ganhar seu amor.[4]

Celebrante: Cósmica, eletromagnética, distribui sorrisos, canaliza positivos ventos por onde passa. Quântica, calma e dialética, Ela o olhou nos olhos e virando o rosto ao vento que soprava,[5]

Todos: Em silêncio disse o que lhes era essencial Beijando-o com a força de um amor atemporal.[6]

Celebrante: Tântrica, natural e mágica. O sutil e o corpóreo, no eterno e transitório Instante que se passava.[7]

Todos: Em meio ao caos sublime da explosão sensorial Surgiu a consciência de um amor impessoal.[8]

Celebrante: Celebrando a vida e a infinita dança universal, ela envolve a todos a envolvem, encontrando a vida ao deixar fluir o curso natural.[9]

Todos: E assim, esperando com paciência, alcançou a promessa.[10]  As muitas águas não poderiam apagar este amor, nem os rios afogá-lo.[11]

Noiva: É só seu meu coração, está escrito nas estrelas. O destino me pousou em suas mãos.[12]

Noivo: Quero aproveitar cada segundo, cada dia mergulhar mais fundo, eu vou fazer por merecer e a nossa história vai continuar assim. Minha vida sorriu quando você chegou.[13]

Noiva: E eu que era triste, descrente desse mundo, ao encontrar você eu conheci o que é felicidade, meu amor.[14]

Noivo: Olha pra mim, deixa eu te ver. O meu coração quer entender, de onde vem tanto querer? Somos aliança, céu e fé, eu e você.[15]

Noivo e noiva: Me dá tua mão, vem sentir meu corpo. Olha o que esse teu beijo me faz! Fica só um pouco mais. Até o sol quis ver De onde vem tanta luz!
Nosso amor tem poder, fogo que nos conduz. Olha só como é bom amanhecer assim! Nosso amor tem o dom de superar o fim.[16]

Todos: Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.[17]

Celebrante: Fazei tudo quanto Ele vos disser.[18]

Feito a Leitura, descrevi a festa de casamento em Caná da Galileia, a crise pela falta de vinho, a intervenção de Maria em uma instancia de tempo que não era mais dela e como o Cristo solucionou de forma perfeita o problema da festa do casamento. Dividi o pensamento em três pontos, como se segue:

Sermão: Três princípios do casamento em Caná da Galileia.

  1. A transformação é abundante, pois onde Jesus está, há completude.
  2. A transformação é para melhor, pois onde Jesus está, o que é bom por ser melhor ainda.
  3. A transformação é explícita, pois onde Jesus está há bênçãos a serem comunicadas às outras pessoas.

Depois de proferido o pequeno sermão, saí mais uma vez do comum a todas as cerimônias de casamento, e não fiz a famosa cadeia de promessa “promete amar, respeitar, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza até que a morte os separe?” e poetizei mais uma vez o que chamei de promessas mútuas. Significa que o que ele prometeu a ela, pode ser uma via de mão dupla perfeitamente.

Promessas mútuas.

Michel, você promete:

– De tudo, ao seu amor ser atento antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto, que mesmo em face do maior encanto, dele se encante mais seu pensamento?[19]

– Amar tanto, seu amor, que não cante o humano coração com mais verdade, amando como amigo e como amante numa sempre diversa realidade?[20]

– Amar por toda a sua vida e que cada verso seu será para dizer que sempre vai amar?[21]

Jéssica, você promete:

– Que basta-te um pequeno gesto, feito de longe e de leve, para irdes com ele e ele para sempre te leve?[22] 

–  Que todos os dias do ano, todos os dias da vida, de meia em meia hora de 5 em 5 minutos dirás, mesmo em silêncio: Eu te amo?[23]

– Ser aquela em que, do Michel, a alma ardente em longos sonhos a sonhara assim; o ideal sublime, que ele criou na mente, que em vão buscava e que encontrou por fim?[24]

Por uma questão de observação, não chamei o anel de ouros que eles passaram a usar neste dia de aliança, mas de sinal da aliança já estabelecida em seus corações. Os dois então trocaram uma pequena dedicatória das alianças

Sinal da Aliança.

Receba este anel, como símbolo do meu amor, da minha fidelidade e da aliança que fiz contigo no meu coração.

Lembram das três velas no púlpito? Como simbolo do surgimento de uma nova família, Michel e Jéssica utilizaram as  velas acesas  por suas mães e acenderam a sua própria vela.

Depois desse momento, como o Juiz de Paz já os havia declarado casados, não os declarei casados, mas abençoados e que sejam luz.

É claro que descrito assim, fica de fora a emoção e os “nós na garganta” que surgiram em alguns momentos e talvez tenha ficado de fora algum detalhe.

E assim foi, minha primeira celebração de casamento.

[1] Salmos 126.3

[2] Cantares 2.16a.

[3] Provérbios 18.22

[4] Azul sem fim – Péricles

[5] Cósmica – Forfun

[6] Idem

[7] Idem

[8] Idem

[9] Idem

[10] Hebreus 6.15

[11] Cantares 8.7

[12] Nuvem de Algodão – Pezinho e Délcio

[13] Bem vinda – Bruno Diegues

[14] Corcovado – Tom Jobim

[15] Céu e Fé – Thiaguinho e Claudio Bonfim

[16] Até o sol quis ver – Thiaguinho e Claudio Bonfim

[17] Mateus 19.6

[18] João 2.5b

[19] Soneto da Fidelidade –  Vinícius de Morais

[20] Soneto do Amor Total – Vinícius de Morais

[21] Eu sei que vou te amar – Tom Jobim.

[22] Timidez – Cecília Meireles

[23] Quero – Carlos Drumond de Andrade

[24] Canto de amor – Casimiro de Abreu

2 comentários

  1. Audrei

    Poxa Roni! Que coisa mais bonita! Muito legal!!!

    1. admin

      Foi muito emocionante mesmo Auddrei. O melhor é que consegui atingir o coração de evangélicos, católicos, ateus, com a mesma palavra do Evangelho.

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