Cenas de um ladrão, de um salvador agonizante e do Rei da Glória

E um dos malfeitores que estavam pendurados blasfemava dele, dizendo: Se tu és o Cristo, salva-te a ti mesmo, e a nós. Respondendo, porém, o outro, repreendia-o, dizendo: Tu nem ainda temes a Deus, estando na mesma condenação? E nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o que os nossos feitos mereciam; mas este nenhum mal fez. E disse a Jesus: Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino. E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso. Lucas 23:39-43

Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória. Quem é este Rei da Glória? O SENHOR forte e poderoso, o SENHOR poderoso na guerra. Levantai, ó portas, as vossas cabeças, levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória. Quem é este Rei da Glória? O SENHOR dos Exércitos, ele é o Rei da Glória. Salmos 24:7-10

    A primeira cena, do primeiro texto é descrita em muitas traduções como os dois ladrões. Conta a história dos momentos finais de três personagens, que foram levados a cruz para sofrer até a morte.

    Já ouvi muita coisa sendo dita sobre esta cena tão dramática, mas sempre foge de quem fala algumas observações.

   Uma das observações que sinto falta é de que Jesus estava naquela cruz também pelos dois ladrões, seus companheiros de infortúnio. Os dois ladrões que estavam lá, observado bem de perto, de fato, o mais perto possível da agonia de Jesus, tiveram a mesma possibilidade de o reconhecer como alguém que pudesse fazer efetivamente alguma coisa por eles. Entretanto, não foi isso o que aconteceu. Enquanto um vocifera contra Jesus o outro parte em sua defesa.
O que se diz da cena da cruz, em grande parte é que Jesus foi o homem inocente que morreu para nos salvar. É preciso que se lembre de que Jesus morreu para salvar aqueles dois criminosos, e os que aceitam o sacrifício de Jesus, não são diferentes daqueles dois ladrões, mesmo que não tenhamos praticado o que eles praticavam. Em certo sentido, todos nós acusamos Jesus e partimos em sua defesa querendo que ele se lembre de nós.

    Outra coisa que as vezes passa desapercebido é o fato de que, mesmo o ladrão tendo entendido que a morte de Jesus era injusta e tendo solicitado dele que fosse lembrado no paraíso, a resposta positiva de Jesus não retira do ladrão a pena e as dores do castigo na cruz. Suas pernas foram quebradas e ele morreu como todo crucificado morria. Jesus tem poder para salvar, mas nem sempre salvará das consequências do pecado. A cruz, que é nossa, não nos será tirada.

    Há, nesta cena também, algo que quase não se percebe. Jesus, mesmo sendo salvador e cumprindo para o ladrão o seu papel de salvador, era um homem que estava em agonia, fraco, abandonado por Deus, as nem mesmo assim, se eximiu de fazer o que ele veio para fazer: salvar. Isto deve nos fazer pensar na posição desse mesmo Jesus agora, a quem foi dado todo o poder no céu e na terra. De fato, ele diz isso, para depois completar que os seus seguidores seriam testemunhas por todo o mundo. O que se pode aprender disto é que nossa sensação de impotência não deve ser obstáculo para gerarmos mudança na humanidade. Estamos no ciclo do “todo poder” dado a Jesus.

    Aquele ladrão foi o último companhei de Jesus na terra, enquanto ele era humanidade. Isto aponta para a opção do mestre pelos desfavorecidos. Talvez o ladrão tivesse chegado aquela situação por ter perdido tudo em função das altas cobranças de impostos que existiam no tempo de Jesus. Talvez já tivesse vendido filhos, mulher e perdido sua terra, em muitos casos, única fonte de sustento. Mas o Cristo da cruz, veio para os marginalizados pela sociedade de sua época. A opção de Jesus nunca foi pelos poderosos, e até no fim da sua vida mostra por quem ele havia escolhido agir em seu ministério. Enquanto muitos podem pensar que o ladrão não era digno, Jesus deu provas de que não existe indignidade que ele não consiga passar por cima na ação de salvar.

   O segundo texto, visto por uma perspectiva puramente de fé, sem considerar nenhum método de pesquisa científica do texto bíblico, me leva a uma viagem que pode ser uma viagem de fé, mas que tem me feito pensar a respeito do valor que o Cristo dá a humanidade.

    A cena que se descreve me faz ver Jesus, o filho, voltando para sua glória. Há um convite feito para que se levantem os portais eternos para que entre o Rei da Glória e uma pergunta a respeito de quem era esse rei. A resposta, como não podia deixar de ser é clara: O SENHOR forte e poderoso, o SENHOR poderoso na guerra, o SENHOR dos Exércitos, ele é o Rei da Glória.

   O que vejo nesta cena, é o retorno de Senhor à sua glória. Vejo que alguns tem dúvidas de quem está chegando nos portais eternos, todavia, outros tem certeza de quem entra por ele. Aquele mesmo senhor que disse ao ladrão “hoje mesmo estarás COMIGO no paraíso”, está de volta à sua glória. Pela fé eu vejo não só o Senhor chegando, mas o ladrão chegando com o Senhor da glória e fico imaginando e me questionando: Se o senhor da glória, carrega consigo para sua entrada na glória um ladrão, marginal, culpado da cruz, quem sou eu para impedir quem quer que seja de entrar na glória.

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