Eclesiastes de Salomão e Gonzaguinha: O que é a vida? O que é, o que é meu irmão?

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O escritor de Elesiastes, descreve a vida. Talvez, no começo da sua descrição, não soubesse a intensidade e o alcance que seus escritos teriam. Passariam anos, enfrentariam circunstancias adversas, e ainda assim, se amoldariam à realidade humana, fosse qual fosse o tempo.

Ao iniciar sua descrição sobre a vida, ele a faz sob uma perspectiva de que nela há muita vaidade. Ele descreve dessa forma, a natureza temporal do que existe no mundo. Ao falar das coisas debaixo do sol, descreve com clareza do que é terreno, humano e temporal.

A temporalidade das coisas humanas, indica com clareza que, mesmo as conquistas humanas mais impressionantes, terão seu momento de ficar para traz, de virar somente história.

Na busca por uma satisfação pessoal, ele se envereda por descobertas carregadas de conhecimento cientifico, mas que não o satisfaz, pois afinal, tudo é vaidade.

O vento vai para o sul, e faz o seu giro para o norte; continuamente vai girando o vento, e volta fazendo os seus circuitos. Todos os rios vão para o mar, e contudo o mar não se enche; ao lugar para onde os rios vão, para ali tornam eles a correr. Todas as coisas são trabalhosas; o homem não o pode exprimir; os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos se enchem de ouvir. O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol. Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Já foi nos séculos passados, que foram antes de nós.

Na sua busca pelo sentido da vida, encontra também a sabedoria e filosofia, a alegria que o álcool produz, busca ainda na arquitetura as formas da beleza que poderiam dar sentido a vida, passa pelos bens materiais e pela luxuria. Mesmo nos códigos morais, sua busca só retorna um resultado para a pergunta: E a vida? O que é?

Seu conceito final é que a vida é vaidade. Além disso, o autor descobre sobre a finitude da vida. Sua vida terá um fim, não adiantando nada do que ele tenha sido e e do que ele tenha feito, ela terá um fim.

A percepção deste fim inevitável, causa desconforto e amargura. Ele está chocado com a perspectiva de que tudo passará e acontecerá de modo crítico e destrutivo. E a pergunta que se faz é, já que a vida tem seu fim, vale a pena viver se a vida é só vaidade?

O escritor está diante de uma realidade dura. Não importa o que fará, no fim de tudo, sua vida será vaidade.

A descoberta de que a vida é vaidade, não lhe impede de continuar querendo descobrir sobre como viver esta vida. Ele chega a conclusão de que o Eterno é quem dá razão à vida, dando-lhe também sentido. O conselho que ele dá é que quem o leia, nos tempos futuros, conheça o Eterno desde a sua juventude e siga a sua vontade.

O conhecimento desta verdade modificará a perspectiva em relação ao final da vida. Conhecer esta verdade não mudará o fato de que a vida é vaidade, mas fará com que o homem faça ajustes em sua vida, de modo que ela não seja somente fruto dessa vaidade, gerando nesse homem a felicidade de ter vivido, e, quando chegar o fim, a felicidade do reencontro com o Eterno.

Anos mais tarde depois da sua escrita, um outro sábio caminha pela terra. Ele também ensina sobre o que é a vida. Não faz como o escritor de Eclesiastes, mas também faz perguntas sobre a vida.

Pergunta à vários grupos diferente de pessoas. Preocupa-se em saber da vida a partir da perspectiva de pessoas simples.

Conversa com o irmão, não se sabe se é de sangue, ou se é maior que isso, irmão de escolha, irmão de decisão. O irmão acredita que a vida é só o bater do coração, ilusão doce, que se acaba com o tempo.

Questiona com o irmão, a dupla ação da vida, por vezes maravilhosa, em outras vezes sofridas. Algumas vezes de alegria, em outras de lamento. Mas essa é a vida que deve ser vivida.

De outra pessoa, ele recebe a resposta de que a vida é muito pouco se comparado ao mundo, uma gota no oceano, um tempo curto, menos que um segundo. Outra pessoa, volta-se para o Genesis e entende que a vida é o sopro divino, misterioso e profundo que repleto de amor, preenche a criatura com sua própria essência.

Ao falar com três pessoas ao mesmo tempo, uma diz que a vida é uma mistura de luta e prazer, outra diz que para entender a vida é preciso viver, outra pessoa, não se sentindo amada, preferia morrer, pois está cansada de conjugar o verbo sofrer e não o viver.

Continuando sua pesquisa sobre a vida, ele sente confiança na resposta de uma moça, que acredita que quem faz a vida somos nós mesmos, na nossa história, como der, ou puder, ou vier, mas que seja sempre fonte de desejo, mesmo que, como humanos que somos, cometamos erros.

Mesmo sendo a vida tão complexa, a maioria prefere a complexidade da vida, com saúde e sorte, que a simplicidade da morte onde não há doenças, mas não há saúde e sorte.

Quase no fim da sua busca, quando a pergunta ainda se agita dentro dele, ele encontra um grupo de crianças. O ser humano crescido, por vezes ignora a respostas das crianças, esquecendo de que o Cristo um dia disse: “se não formos como criança, jamais saberemos como é o reino de Deus”.

A resposta das crianças, embora simples, surge de certa forma, trinitária. O que é a vida?

É bonita, é bonita e é bonita.

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