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mar 03

Ensinar para a vida, na vida e com a vida.

Em um dia desses, em que a vida nos proporciona um refrigério, encontrei com um amigo que não via há muito tempo. Como de costume, perguntas sobre família, filhos, realizações, trabalhos, essas coisas que às vezes perguntamos só para ter o que falar. Entretanto, houve uma pergunta que foi bem interessante. Ele me perguntou:  “por que você gosta tanto de ensinar?”

Minha resposta curta, o deixou meio sem palavras e ele mudou de assunto. Dias depois ele pediu-me para falar mais sobre minha resposta.  Aqui vai um pouco do que disse para ele.

Gosto de ensinar, porque vou morrer em breve.

Parece não haver nenhuma relação, mas pare e pense por um momento. Para onde vai todo o conhecimento que acumulamos, quando nosso coração para de bater?

Gosto de ensinar, porque para o lugar para onde vou, a partir dos pressupostos da fé que abracei, não é lugar de aprendizado. Lá, segundo o apóstolo Paulo, nós o conheceremos como Ele é. Todas as coisas antes vistas de forma distorcidas serão vistas de forma clara e sem dúvidas.
Ensinar é de fato um grande aprendizado, mas se há o que ensinar, que se ensine aqui, neste plano.

Gosto de ensinar, pois mesmo que não ponham em prática todos os meus ensinamentos, ou que não se ponha em prática um sequer, tenho a certeza de que compartilhei algo com alguma pessoa. Qual o sentido de estar nesta terra se não for para compartilhar?

Gostei de ter ensinado aos filhos, Helen Brites e Michel Brites, com meus acertos e com meus erros. Os acertos, disse à eles certa vez, são para serem imitados, os erros, para serem perdoados, e lembrados a título de experiência. Olhar para os erros e dizer: “tentarei não errar desta forma”.

Gostei de ter ensinado pessoas a conhecerem o que eu conheço. Gostei mais ainda, quando ao ensinar elas discordaram de mim. Rendeu-nos grandes diálogos enriquecedores da vida.  No fim de tudo, receber como resposta um “discordo de você, mas foi muito bom dialogar contigo” foi a melhore recompensa pelo tempo investido.

Gostei de ter ensinado à Lya Brites sobre como eu sou: simplesmente complexo. O paradoxo da minha existência, com certeza produz nela a vontade de sempre querer me conhecer e me oportuniza sempre poder me descrever como ser que sou.

Goste de ter ensinado durante os sermões que prediquei, que o Evangelho é revolucionário e libertador, e o que for diferente disso é o que o apóstolo Paulo chama de anátema.

Ensinamos para a vida, na vida e com a vida, pois no lugar da morte, ou do pós vida, seja lá como você acredita não há como ensinar a vida.
Por isso, seja lá o que você tiver para ensinar, ensine.

Sabe aquela receita, modificada por você e que adquiriu um sabor todo especial? Ensine. Provavelmente o resultado não será o mesmo e você conhecerá uma nova receita, um novo sabor, um novo aprendizado.

Sabe Teologia, daquela que gera vida, que ensina que o Eterno teve que se esvaziar de si mesmo para gerar vida? Ensine e você estará gerando vidas que gerarão vidas.

Gosta de política, da boa política? Ensine sobre ela, afinal, não é porque os políticos são ruins que a política também tem que ser.

Você sabe assobiar com os dedos na boca? (coisa que não sei até hoje), ensine. Parece bobeira, mas alguém se lembrará de você por detalhes como esses.

Soltar pipa, jogar bola, rodar pião, usar um aplicativo, ter prazer em ler, em sentir, em ver, em viver. Tudo isso pode ser uma grande fonte de ensino e aprendizado.

Você não acredita na vida pós-morte? Não tem problema. Alguém ficará na terra lembrando a todos o que aprendeu contigo.

Quando você chegar diante do Eterno, a quem chamo Deus, e respeito a forma como você o chama, com certeza Ele estará orgulhoso de ter colocado você no mundo para fazer diferença na vida de alguém.

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