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nov 08

Testemunhando em todo tempo, circunstancia e lugar.

Texto: Atos 23 1-11

Idéia central do texto:

Independente de quaisquer circunstâncias, devemos testemunhar de Cristo a toda criatura.

Objetivo Geral:

Consagração

Objetivo específico:

Levar o ouvinte a entender que devemos testemunhar acerca do evangelho de Jesus Cristo a todo instante e todo lugar.

Tese:

No texto lido, encontramos pelo menos três aspectos daquele que será testemunha do evangelho de Jesus Cristo.

Introdução

O Apostolo Paulo é um dos maiores personagens dos tempos bíblicos e sua história de dedicação ao evangelho repercutiu até os dias de hoje. Sua dedicação na pregação do evangelho e na implantação de igrejas é exemplo para todos os servos de Jesus Cristo até os dias de hoje, e continuará sendo sempre.

Por ser um homem tão destacado na pregação do evangelho e no ensino do que ele recebera do Senhor Jesus, sua vida tem sido, ao longo de anos, fonte de vários estudos e considerações. Que tipo de postura Paulo assumiu em toda sua carreira, que o fez ser notado dessa forma? Quais foram os passos seguidos por ele para que sua vida se tornasse um exemplo?

 Se fizermos uma leitura dos textos próximos anteriores ao texto que lemos nessa noite, encontraremos a disposição do apóstolo em, convergindo para Jerusalém, a ponto de ser preso, deixar claro aos seus opressores que o que o movia a testemunhar era o encontro pessoal que ele tivera com o senhor Jesus, no caminho de Damasco, e de como o Senhor Jesus tratara particularmente com ele.

 Ser testemunha é muito mais que simplesmente observar um fato e após observar, falar acerca deste fato. A palavra grega para testemunha é “martyria” e significa alguém que é convocado para dar o relato do que viu perante a população ou alguma autoridade, estando disposta a todo custo, se preciso for, com a própria vida, garantir a veracidade dos fatos expostos. Desta palavra “martyria” é que se deriva a palavra “martys”, que na língua portuguesa deu origem a palavra mártir.

Do texto de atos 23 de 1 a 11, destacaremos então, três aspectos de um servo que testemunha acerca do Evangelho de Jesus.

1.Devemos testemunhar independente das circunstâncias. 

Paulo está diante do sinédrio, tal como Jesus estivera antes de ser crucificado. Diante dele estavam pessoas que, em síntese, queriam que ele fosse julgado e condenado por estar divulgando um conceito que para os Judeus era contrário à sua fé e à sua religiosidade.

 Paulo chama a atenção daqueles homens acerca da sua forma de andar diante de Deus. Ele declara que andava diante de Deus com toda boa consciência. Não havia, na realidade, nada na vida de Paulo que pudesse efetivamente servir de argumento para que o sinédrio o condenasse. O sumo sacerdote Ananias manda que Paulo seja esbofeteado, quem sabe, numa tentativa de fazê-lo merecedor de alguma acusação por sua possível reação. Paulo fica indignado com esta atitude, pois segundo as leis judaicas, para que ele fosse penalizado com algum tipo de agressão física, o sinédrio deveria analisar os fatos, julgar e somente depois disso impetrar a pena, que poderia ser açoite, apedrejamento, ou se esbofeteado.

Diante da atitude hostil do sinédrio, e diante da atitude contrária até mesmo às leis judaicas, Paulo poderia pensar que não valeria a pena continuar sendo testemunha de alguém que no momento da sua dificuldade deixara que algo totalmente fora da lógica e da lei fosse praticado.

Talvez, se fosse em nossos dias, com algumas pessoas que freqüentam nossas igrejas hoje, a reação de ser ferido, seja fisicamente ou até mesmo psicologicamente, produziria um sentimento de querer deixar tudo e de achar que não valeria mais a pena sofrer por alguém que no momento crucial, não fazia simplesmente nada.  Todavia, a atitude de Paulo demonstra que ele encarnava a postura de alguém que foi chamado para testemunhar, estando disposto inclusive a todo custo vivenciar através de seu testemunho, a dor, o sofrimento e o escárnio que seu testemunho pudesse produzir. Paulo sabia o que era ser “martyria”, sabia o que era ser testemunha e sabia de todas as implicações de o ser, entretanto, em nenhum momento o encontraremos recuando de sua posição de sofrer por causa de ser testemunha do Evangelho de Jesus Cristo. Ele entendia que devia testemunhar independente das circunstâncias. Ele sabia que devia testemunhar independente de ser aceito ou ser julgado. Ele sabia que devia testemunhar independente mesmo de que seu testemunho fosse aceito e no caso de não ser aceito, sabia que o resultado seria a morte. Mas o conhecimento que ele tinha acerca de quem ele testemunhava o impulsionava a testemunhar.

2.Devemos testemunhar, conhecendo a cerca do que testemunhamos.

Paulo era um homem que tinha com uma de suas características principais, o conhecimento. Havia estudado aos pés de Gamaliel um grande conhecedor da Torah, tornando por isso um conhecedor profundo de toda a lei judaica. Falava o idioma hebraico e falava também o grego.

Em sua defesa, usa de sabedoria e inteligência ao deixar claro que ele mesmo havia sido perseguidor do evangelho, fazendo com que os seus acusadores encontrassem um ponto de conexão com ele. Nesse sentido, ele praticamente dava a entender que percebia o que se passava no coração de cada um deles, pois ele mesmo, por zelo fizera, em outro tempo, o que eles estavam fazendo agora.

Pela influencia que ele teve na propagação do evangelho e na elucidação de várias dúvidas a respeito do procedimento do cristão, podemos inferir que sua capacidade intelectual era grande.

Por ter conhecimento sobre dois conceitos antagônicos acerca da ressurreição, ele abre um debate entre fariseus e saduceus sobre este assunto. Por conhecer o que Jesus ensinou sobre a ressurreição e também conhecer a oposição ao ensinamento de Jesus, ele conseguiu fazer com que fariseus e saduceus discutissem a respeito, colocando o seu julgamento em segundo plano a ponto de alguns escribas levantarem sua voz e dizer que não havia nenhum mal nele.

Para testemunhar, precisamos conhecer sobre o que testemunhamos. Paulo fala sobre a ressureição e levanta uma discussão, mas só consegue isso, pois ele conhecia tanto o conceito saduceu de ressurreição, como o conceito fariseu, além de conhecer o ensinamento de Jesus Cristo.

Quando estava preparando esse sermão, perguntei para dez pessoas de diferentes idades e tempo de participação na igreja, o que para elas significava testemunhar de Jesus. Seis disseram que davam bom testemunho, porque freqüentavam todas as reuniões da igreja; duas disseram que davam bom testemunho porque não se envolviam em contendas com seus vizinhos; uma disse que testemunhar era viver a vida como a bíblia ordena e finalmente uma, a única, disse que o bom testemunho era dado, quando falar do que Jesus fizera em sua vida era mais importante do que a sua própria vida.

O nível de conhecimento que encontramos hoje em nossas igrejas, não seria suficiente para que algumas pessoas resistissem cinco minutos em um ambiente semelhante ao sinédrio enfrentado por Paulo. Se almejarmos testemunhar, devemos conhecer sobre o que testemunharemos, pois com certeza, seremos levados por Deus a lugares onde o conhecimento das bases de nossa fé será primordial.

3.Devemos testemunhar independente do lugar e da nossa situação.

Após sua participação no sinédrio, Paulo é levado para a fortaleza em Jerusalém, onde ele permaneceu preso. Na prisão, ele recebe a visita gloriosa de Jesus Cristo que o encoraja e afirma que com a mesma atitude que Paulo tivera ao testemunhar em Jerusalém, ele testemunharia também em Roma.

Quem já leu sobre a vida de Paulo, pode perceber a partir da declaração de Jesus Cristo, que testemunhar em Roma era muito mais do que estar lá e falar do evangelho de Jesus. Testemunhar em Roma, era em última análise, enfrentar a prisão e o martírio pelo amor ao Senhor Jesus Cristo. Testemunhar em Roma era ser privado de todos os benefícios que ele, Paulo, como cidadão romano poderia ter. Testemunhar em Roma era passar de cidadão, para um simples preso, como tantos outros acusados de seus mais variados crimes.

Diante da afirmação de Jesus de que ele seria testemunha em Roma, Paulo não poderia tomar outra posição se não aceitar ser testemunha, independente do lugar e independente da sua situação de prisioneiro. Nossa postura como testemunha de Jesus Cristo, não pode ser diferente da postura de Paulo. Devemos nos portar com alguém que sabe quem é o autor e consumador de nossa fé, e não deixar que isso fique guardado em nós mesmos. Devemos considerar nossa vida como sendo menos importante que o efeito que nosso testemunho possa causar nas vidas que carecem de salvação.

Estamos acostumados demais a viver uma vida voltada para nosso conforto enquanto crentes, membros de nossas comunidades de fé, enquanto centenas de pessoas continuam caminhando para um destino longe de Deus e da salvação. Não é possível que entendamos como natural que somente poucos de nós compreendam que testemunhar é mais importante que nossa própria vida. Seja aqui em nosso bairro, cidade, pais, ou em qualquer outro lugar; em situação propícia a nós, ou na adversidade, devemos sempre testemunhar.

Conclusão

Para concluir, gostaria de contar-lhes uma história que marcou muito minha vida e de muitas pessoas de minha igreja e do hospital do Câncer, lá no Rio de Janeiro.

Havia na nossa igreja uma irmã, nova convertida, que foi diagnosticada de Câncer. Seu nome era Denise. O que para muitos seria o suficiente para se abater e cessar de falar do amor de Cristo, para ela era um meio de testemunhar.

Muitas vezes, em dores, a caminho do hospital, ela dizia que Deus estava permitindo que ela voltasse para lá, pois ainda havia muitas pessoas com quem ela não havia falado de Jesus Cristo. O poder do testemunho de Denise, fez com que muitas pessoas se perguntassem como era possível ela estar na situação que estava e ainda assim ter um sorriso no rosto e uma palavra de salvação para quem estivesse perto dela.

Muitas pessoas foram alcançadas por seu testemunho no hospital, na sua vizinhança e na igreja. No último dia que a vi na igreja, sendo amparada, com dores, se não fosse as conseqüências de sua enfermidade que a debilitou, não era possível encontrar nela sequer a aparência de quem se dera por vencida, pois ela, mesmo numa situação terminal, ao ser perguntada como estava respondia com um sorriso: “Jesus é bom!”.

Para Denise, assim como para Paulo, testemunhar era maior do que a sua própria vida.

Que nesta noite, Deus continue falando aos nossos corações de modo que sejamos testemunhas hoje, quando temos tempo, saúde, vigor, mas se perdermos tudo isso, continuemos a ter motivos para testemunharmos sobre o que Jesus, que é bom, fez em nossas vidas.

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