Meu pai, o trilho do trem e o texto sagrado.

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Quando eu era pequeno eu era muito curioso. Queria saber de tudo. Um dia, vindo de trem com o meu pai, não me lembro de onde, percebi que não havia subidas e decidas no caminho do trem. O trilho era sempre plano. A paisagem lá fora é que parecia subir e descer. Na minha inocência eu perguntei porque as terras ao lado da linha do trem subiam e desciam. Meu pai me mostrou que não eram as terras que subiam e desciam, mas era a ilusão que eu tinham pelo fato do trilho do trem seguir sempre um mesmo plano.

Meu pai me explicou na sua sabedoria de quem era sábio, mas não academicista, que o trilho do trem era sempre num mesmo plano, pois as rodas de ferro não conseguiriam atrito suficiente para fazer um trem subir morro acima, como faziam os ônibus com seus grandes pneus de borracha.

Dei-me por satisfeito. Cresci.
Depois de muitos anos, andando de trem e metrô, percebi que meu pai estava enganado e que a roda de ferro podia sim subir ou descer planos diferentes dos retos.

Meu pai não sabia toda a verdade, mas me ensinou a verdade que ele sabia.

Sabe o que aconteceu com a imagem que eu tinha do meu pai, quando a história do trem que não sobe foi desfeita na minha mente? Nada.

Meu pai continuou representando pra mim, uma grande fonte de sabedoria e ensinamento, restrito ao seu próprio mundo e conhecimento, mas alguém a quem se deva imitar.

Não sei se naquela época o trem poderia subir ou descer, e os técnicos não queria arriscar, ou se alguma tecnologia mudou e o que não podia antes agora é possível.

Qual a relação disso com a pesquisa moderna do texto sagrado? Explico.

Quando vejo algumas pesquisas, sobre o texto sagrado, contestando tudo o que antes havia aprendido, sabe o que acontece com minha fé e com Deus? Nada.

A fé e Deus continuam sendo o que sempre foram. Cumpriram bem os seus papéis quando eu não conhecia nenhuma pesquisa do texto sagrado e cumprem bem os seus papéis agora que conheço tais pesquisas

Assim como meu pai continuou sendo ele mesmo, minha fé e meu Deus continuam sendo o que sempre foram.

Me impressiono quando vejo pessoas postando fotos de “gigantes” pelas redes sociais, para justificar o texto sagrado. Usam de fotos fradadas, para justificar aquilo que chamam de verdade.

A fé, o texto sagrado e Deus não precisam dessas justificativas de arqueólogos youtubeanos e googleanos.

Mas se de fato uma fé, um texto sagrado e um Deus carecem dessas justificativas, creio que estamos diante de uma fé que não precisa ser estabelecida, um texto que não merece ser lido e um Deus que não merece ser crido.

Tenho fé que meu pai me ensinou mesmo sem saber toda a verdade.

Tenho fé no Deus do texto sagrado, que é motor da minha fé e criador de toda a verdade.

Qualquer coisa fora disso é só crendice.

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