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maio 30

O amor que resiste a tudo

29/05/2011 – Tiba  – Noite.

“Quem é esta que sobe do deserto, e vem encostada ao seu amado? Debaixo da macieira te despertei, ali esteve tua mãe com dores; ali esteve com dores aquela que te deu à luz. Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, com veementes labaredas. As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor, certamente o desprezariam.” Cantico dos canticos de Salomão.

Introdução

O mês de maio no meio evangélico, precisamente no meio Batista, trata sobre a familia. Além de ser esta uma realidade das nossas comunidades de fé, a sociedade também marca suas datas relacionadas a familia: Dia das mães, Dia Internacional das Familias, Dia Nacional da Adoção. No meio Batista, é comum que durante todos os domingos do mês se fale sobre assuntos relacionados à familia. Nesse mes ouvimos falar sobre Ação social e aprendemos que sempre há oportunidade de ajudar alguem. Aprendemos como a criação de um filho pode ser passada de gereção em geração. Aprendemos a como criar filhos do jeito de Deus. Aprendemos sobre a comunidação na familia e de como é perigoso a falta de comunicação e por fim aprendemos a como lidar com as Leis dos homens e a Lei de Deus no que se refere à criação dos filhos.

Escolhemos o último domingo do mês de maio para uma cerimônia que chamamos de “Renovação de votos matrimoniais”, e neste momento quero compartilhar sobre duas fases do amor: O amor no seu inicio, na sua formação e o Amadurecimento do amor.

1. Considerações sobre os escritos de Salomão

Há no antigo testamento um grupo de livros chamados de Sapienciais. Neste grupo estão inseridos três livros importantes: Provérbios, Eclesiastes e Cantico dos canticos. Se fizermos uma redução dos textos, vamos descobrir que os trê tratam da vida do ser Humano. Provérbios descreve orientações de conduta. Neles somos ensinados a como proceder diante de várias circunstâncias. Eclesiastes declara de forma clara que, não importa se está abaixo dos céus ou acima da terra, tudo é vaidade. E mesmo que se ponha em prática tudo que se pode aprender em Próverbios, o final é: tudo é vaidade. Cânticos dos Cânticos fala do relacionamento entre o amado e a amada. De seus encontros, de suas paixões, de seus desejos e de como saciar esses desejos.

Há duas divisões em Cânticos dos cânticos: a primeira parte (1-4) fala do início do amor e a segunda parte (5-8) fala do amadurecimento do amor. É sobre essas duas fases do amor que quero discorrer.

2. O amor apaixonado

O amor em seu início é o amor do tipo apaixonado, onde se vive com toda intensidade. Este tipo de amor não resiste ao tempo, não resiste  as circunstâncias adversas. Mesmo que seja um amor de aproximação e necessário ao seu tempo, ele precisa evoluir e atingir patamares mais seguros. O amor apaixonado não é o amor que tudo sofre, tudo espera, tudo suporta. Este amor deve durar o tempo que deve durar até que um amor consistente e seguro se estabeleça. E é exatamente aqui que temos um grande problema. Tanto homens quanto mulheres, em uma grande parte, acreditam firmemente que o que sentiam ou sentem por suas amadas/amados deve ser igual para o resto de suas vidas. Por mais frustrante que isso possa parecer, este amor apaixonado não durará para sempre. Se esse amor durar para sempre, será problemático, com todos os traumas, dores e dissabores que a paixão tem. Esse amor apaixonado tem prazo de validade e deve deixar de ser quando seu prazo termina.

Me impressiona como na literatura “evangélica” (as aspas aqui servem para dizer que de fato não são Evangélicas) e nas “canções evangélicas”  a palavra apaixonado ocorre como prova de um amor duradouro. Há várias definições para paixão, uma delas é “Perturbação ou movimento desordenado do ânimo”. De fato algumas reações do meio evangélico moderno são tal como a definição do dicionário. Atingem o ânimo de forma desordenada. Um sentimento assim não pode durar para a vida toda.

3. O amor amadurecido

A fase do amor amadurecido não é nem de longe uma fase sem problemas. Muitas vezes, por acharmos que os amor amadureceu, nos esquecemos que ele precisa ser cultivado, cativado e conquistado a cada dia. Há um valor que precisa ser considerado. O escritor do texto enfatiza que não há águas que apaguem, rios que afoguem ou dinheiro que se pague por este amor. Justamente por ser assim, em alguns momentos desconsideramos o que é básico para a sobrevivência desse amor. Nessa fase de consistência, o amor pode ser a grosso modo comparado ao que o Eterno sente pela humanidades. Muitas águas de pecados, rios de ingratidão, valores inigualáveis, são considerados pelo criador como nada, quando ele decide olhar para a humanidade e amar a mesma humanidade que lhe dá as costas. Esse amor é amadurecido, consistente e duradouro. Este amor é do tipo que resiste as mais difíceis situações. Quando Deus decide doar-se através da natureza humana de Jesus, seu único filho, seu maior valor, ele dá provas concretas de que seu amor por todos os homens é maior do que tudo que se possa imaginar.  Não é um amor exigente. Ele sequer exige que o homem aceite esse amor, mas o convida a aceitar. Não há imposições. Ele somente convida e aguarda que se aceite o convite.

4. Conclusão

Deixaremos de lado o amor apaixonado? De forma alguma. Ele tem sua função de gerar interesse, aproximação, desejo ardente de se estar junto. É preciso saber viver o amor amadurecido com todas as característica de um amor que resiste a tudo, sem contudo perder o que o amor apaixonado tem de bom para oferecer.

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