O caixote de Noé, Deus e a palavra e o pacote de pipocas

NoeEu fico pensando sobre o número de cristãos que, no lugar de seguir os ensinamentos do Cristo, preferem se envolver com algumas discussões que não levam nunca a nada.

Pior que isso, é entrar nessa discussão, com o pressuposto de que todos estão errados e somente ele, que entrou na discussão está certo. Só pra lembrar, o texto bíblico diz que o Eterno resiste aos soberbos.

A polêmica da vez (não sei por que, mas é assim que estão fazendo), é o filme Noé.

Já se pode encontrar várias discussões sem sentido sobre o filme, discussões essas que são desprovidas de no mínimo bom senso. Uns dirão “Oh!. Meu Deus, que absurdo, o filme fugiu totalmente ao texto bíblico!”. Outros dirão “Que maravilha, o filme me inspirou, pois trouxe uma nova versão do evento dilúvio”. Há discussões que falam de teoria da conspiração feita pelos iluminatis para distorcer a palavra de Deus e blá, blá, blá.

Os que dizem que o filme não segue a risca o texto bíblico e os que dizem que o filme segue, cometem um equivoco. De fato, os que dizem qualquer coisa sobre o filme, tentando fazer associações com o texto bíblico, tratando o texto bíblico como uma peça histórica, redigida pelos melhores dá época do dilúvio, cometem os maiores equívocos.

A narrativa do dilúvio não tem e nunca teve a intenção de descrever os fatos exatamente como aconteceram. Não haveria como, já que o texto é extremamente tardio em relação ao momento do dilúvio.

A própria descrição do dilúvio traz indícios que mostram que o seu redator não escreveu uma história uniformizada. Basta ver, por exemplo, que há duas descrições de animais entrando na arca. Em um momento, fala-se de um par de animais, e outro fala-se de 7 pares de animais.

Se não há esse esforço do redator do texto para narrar a história tal como ela aconteceu, esperar que um cineasta o faça, é uma perda de tempo.

Basta pensar um pouquinho mais para perceber que não há, em nenhum momento, na narrativa bíblica do dilúvio, o interesse de descrever uma história da humanidade.

Os cristãos que assim pensarem, terão que ajustar algumas contas que são difíceis de fechar, entre elas o fato de que a família de Noé, teve a incumbência de gerar todos os povos da terra, de etnias diferentes, através do incesto praticado entre eles.

Olhar para a narrativa do dilúvio, com um enfoque histórico-científico, nos fará olhar para todas as narrativas de dilúvio, de vários povos, dentre eles chineses e babilônicos, só para citar dois dos mais de quatrocentos povos que narram em suas histórias primitiva uma história nos mesmos formatos: maldade+unica família+grande barco+animais+chuvas sobre toda a terra+morte de todos que não estavam no barco. Não dá para fechar uma conta dessa, dizendo que só a narrativa bíblica está correta.

O que o cristão deve fazer diante do filme Noé? Não ver? Ver é fazer pesadas críticas aos produtores?

Nada disso.

O que deve ser feito, é sentar na poltrona do cinema, com um bom pacote de pipocas e um refrigerante, de preferência bem acompanhado e curtir tudo o que o filme se propõe a fazer: divertir o público com um belo filme. E se o filme não for bom, critiquem a incompetência dos produtores em não saber um bom filme no lugar de criticá-los por não seguirem a risca a narrativa bíblica.

E Deus e a sua Palavra, como ficam?

Ficam da mesma forma que ficou até agora. Deus e a sua Palavra não precisaram, precisam ou precisarão da exatidão dos fatos para ser o que são. E Ele e sua Palavra são e sempre serão o que são, para quem acredita e quem não acredita, não deverá ser considerado como uma pessoa digna de afogamento pelas águas dos dilúvios ideológicos.

É bom lembrar que há muita gente no contexto evangélico que distorce a palavra, mas como o fazem com a bíblia aberta, ou fingimos que aceitamos, ou de fato aceitamos como sendo a mais pura verdade.

Deixe um comentário

Seu e-mail não será publicado.


× 9 = quarenta cinco