O cinegrafista amador, a polícia, a mídia e a (c)omissão de direitos humanos.

Jpeg

Jpeg

Eu entrei de férias e algumas imagens acompanharam minha primeira semana de férias. Uma delas foi a tal filmagem dos policiais que alteraram a cena do crime onde um traficante havia sido morto. Morto não, executado. Essa foi a palavra usada na mídia. Como se morto fosse menos ruim que executado.

O cinegrafista amador estava no lugar certo, na hora certa, filmando a coisa errada que os policiais estavam fazendo.

Não é preciso muito raciocínio para perceber que o que aqueles policiais não tiveram foi exatamente isso: raciocínio. A falta dele incriminou a todos. Pelo erro, pagarão a pena de terem matado, ou melhor (?) executado o traficante. Este é o caminho da justiça, por mais que se pense o contrário. Como policiais, eles infringiram a lei e se tornaram culpados. A lei é dura, mas é a lei.

Aquela cena da alteração da prova da execução é a prova da opressão da autoridade policial sobre aqueles que não tiveram as mesmas oportunidades sociais que o restante da população.

A (c)omissão de direitos humanos fez uma visita ao local onde o jovem traficante, desprovido de oportunidades sociais, foi morto, desculpem-me, executado, para tentar convencer testemunhas a deporem no caso do jovem traficante, morto, ops, executado.

Outras imagens também estiveram presentes nesse começo de férias. Imagens da violência sem medidas no Estado do Rio de Janeiro.

Um casal de idosos é expulso de casa, pois não colocou no lugar certo a barricada que o Senhor Traficante havia colocado. Além disso, até onde acompanhei, o casal havia desaparecido.

Sabe o que aconteceu com as imagens do cinegrafista, neste caso dos idosos? Nada. Ninguém filmou nada. E aposto em dólar que nas imediações desta barricada do Senhor Traficante nenhum morador viu ou ouviu nada e por isso não pensou em filmar a expulsão dos senhores que cometeram tão grave erro de não colocar a tal barricada no lugar certo.

Em outra imagem, não há nenhuma dúvida. Uma senhora morreu por que entrou por engano em uma comunidade dominada por outro Senhor Traficante. Ela entrou por engano numa comunidade e esse foi o motivo que os Senhores Traficantes encontraram para resolver abrir fogo contra seu veículo, onde também se encontrava seu marido.

Também, com aquele carrão, usando um aplicativo para smartphone, os Senhores Traficantes devem ter se sentido oprimidos pela classe dos ricos que resolveu invadir suas terras na figura daquele casal.

Mais uma vez, apesar de diversos tiros disparados contra o veículo da senhora que errou o caminho, ninguém resolveu filmar e entregar à mídia ou polícia mais uma prova de uma execução bárbara.

O casal de idosos que foi expulso de casa e a Senhora da classe rica não devem ser seres humanos, pois não fiquei sabendo de nenhum movimento da (c)omissão de defesa dos direitos humanos em favor desses dois casos.

Ao cinegrafista amador, à policia, à mídia e à (c)omissão de direitos humanos só cabe uma palavra: Hipocrisia.

Deixe um comentário

Seu e-mail não será publicado.


9 − um =