O Evangelho equilibistra e o fim dos generais-pastores

Retenhamos firmes a confissão da nossa esperança; porque fiel é o que prometeu. Hebreus 10.23
E vi um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. Apocalipse 21.1

cordabamba

Ao fim de cada tarde, eles se apressavam para irem até as suas comunidades de fé. Sentiam-se cansados de viver um evangelho que já não era boa nova. Evangelho que não lutava conta a opressão, tendo líderes tão opressores quanto os opressores da nação. No fim da tarde, seguiam, tal como bêbados trajando luto, cumprindo seu papel silencioso e nada cômico.

No caminho, olhando a lua, faziam metáforas entre ela e as suas igrejas, que no lugar de brilhar, tal como luz do mundo, cobrava o aluguel em brilho de parte de seus membros, sofridos, amargurados, torturados, exilados sobre o pretexto de que já não compareciam aos cultos..

No corpo, e muito mais nas almas, manchas de torturas, de chicotes que, se não atingiam a carne, feriam a mente, e os ideais. Eles porém, tal como bêbados loucos, embriagados com o desejo de liberdade, seja ela religiosa, seja ela civil, seguiam irreverentes, aos olhos dos generais-pastores, pelas noites do Brasil.

Anos depois, ouve-se um canto dissimulado: Liberdade de expressão!

Pensava-se, então, que o tempo de dores havia passado. Cantava-se o canto da liberdade, seja ela religiosa, seja ela civil, no solo das igrejas no Brasil.

O Brasil evangélico e o Brasil civil, sonhava com a volta de irmãos, o do Henfil, mas também o do João, da Maria, e de tantos outros mil, que, se não partiu, ficou, sem poder ser, dizer e viver a liberdade tão sonhada.

A pátria mãe gentil e a igreja do Brasil chora por saber que de lá para cá, pouca coisa mudou. Caíram os generais, mais permanecem os ditadores, sejam ele religiosos, sejam eles civis. Não se chamam generais, mais são gerais opressores, líderes religiosos, líderes políticos, que as vezes se confundem entre ser religioso e ser político.

As Marias, as Clarices, mães dos filhos perseguidos pelos generais-pastores, choram a dor dos filhos no solo do Brasil e nos templos das igrejas do Brasil.

Mas essa dor assim pungente, não haverá de ser inutilmente, e a esperança voltará a dançar, não na corda bamba de sombrinha, correndo risco de se machucar. Haverá sim, um novo dia, um novo céu, uma nova terra, e a esperança, antes, mera equilibrista, terá atingido seu ápice de equilíbrio.

Neste momento, os generais-pastores-opressores, já não terão seu lugar de existência, e os artistas, que sabiam que a luta deveria continuar, perceberão que suas lutas, suas vidas não foram vividas inutilmente.

Se você quiser, pode ouvir a música no link abaixo.

https://www.youtube.com/watch?v=1g_p4Xcn5CE&feature=player_detailpage

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