O filho que se foi, a chegada no portão e o Pai de braços abertos.

prodigo

Partiu, então, e foi ao encontro de seu pai. Ele estava ainda ao longe, quando seu pai viu-o, encheu-se de compaixão, correu e lançou-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de bejos. O filho, então, disse-lhe: “Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho”. Mas o pai disse aos seus servos: “ide depressa, trazei a melhor túnica e revesti-o com ela, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o novilho cevado e matai-o; comamos e festejemos,Pois este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi reencontrado” e começaram a festejar. Lucas 15: 20-24

Um dia ele quis ter de uma vez só, tudo o que ele achava que merecia. Ele, na realidade, já tinha tudo, mas não conseguia enxergar isso.

Com o coração de um jovem, que sente necessidade de ser e ter, muito mais de ter do que ser, ele exigiu, colocou no bolso e partiu.

Distante de sua casa, viveu o que quis viver. Sem hora para acordar, sem hora para dormir, com tempo para viver, mesmo que fosse somente existir.

Equivocadamente achou que aquilo era bom, e como diz o bom ditado, tudo que é bom dura pouco, mesmo que no princípio tenha sido muito.

Os tempos mudaram, amigos se foram, a fome chegou. O estomago doía, mas o que incomodava mais era a alma que corroía, por saber que na casa do pai, isso jamais acontecia.

Ele decide voltar, não como filho que retorna ao lar, mas como empregado que bate a porta da empresa, que ele chamava de lar, em busca de uma vaga para trabalhar.

Ele viaja de volta, e na viagem relembra dos tempos bons deixados para trás.

Ele pensa em como será a recepção do velho pai a quem abandonara há tempos atrás.

Antes viajava de carro carro com chofer, quando muito ruim, de táxi, agora somente o sofrer em pé em um ônibus apertado.

Desce do ônibus, onde viajara em pé. Ônibus lotado, e imprensado que estava, percebeu como sua vida mudara.

No portão começa sua verdadeira viagem de volta. Percebe que jamais deveria ter passado daquele portão. Entende que a alegria que estava fora do portão era superficial, mas a alegria de dentro do portão durava uma vida inteira. Descobre que fora do portão, a alegria dura enquanto dura o dinheiro, mas do lado de dentro, a alegria dura, enquanto dura o desejo do pai em abraçá-lo.

Mais tarde ele conta sua história que é recontada várias vezes. A história vira tradição, até que um outro homem, que também deixou sua casa, não para gastar, mas para se doar, reconta a história do filho pródigo que voltara ao lar.

E a história termina mais ou menos assim:

Eu cheguei em frente ao portão
Meu cachorro me sorriu latindo
Minhas malas coloquei no chão
Eu voltei.

Tudo estava igual
Como era antes
Quase nada se modificou
Acho que só eu mesmo mudei
E voltei.

Eu voltei
Agora prá ficar
Porque aqui
Aqui é meu lugar
Eu voltei pras coisas
Que eu deixei
Eu voltei.

Fui abrindo a porta devagar
Mas deixei a luz
Entrar primeiro
Todo meu passado iluminei
E entrei

Meu retrato ainda na parede
Meio amarelado pelo tempo
Como a perguntar
Por onde andei?
E eu falei

Onde andei
Não deu para ficar
Porque aqui
Aqui é meu lugar
Eu voltei
Pras coisas que eu deixei
Eu voltei.

Sem saber depois de tanto tempo
Se havia alguém a minha espera
Passos indecisos caminhei
E parei.

Quando vi que dois braços abertos
Me abraçaram como antigamente
Tanto quis dizer e não falei
E chorei.

Eu voltei
Agora prá ficar
Porque aqui
Aqui é o meu lugar
Eu voltei
Pras coisas que eu deixei
Eu voltei.

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