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set 22

O surgimento da noção do indivíduo, da razão e da loucura

Em um mundo cosmocêntrico, como era o mundo antigo, o homem não faz questão de si próprio. A pergunta “Quem sou eu”?” não tem sentido. As pessoas compreendem-se e compreendem a própria cultura inseridas no cosmos que as cerca. Vive-se de acordo com a natureza, num mundo teocêntrico onde a idéia de linearidade não se coloca.

No mundo moderno, antropocêntrico, a vontade humana e não os poderes da natureza é que determinam o destino do homem. Há uma visão histórica. A natureza torna-se objeto, o homem, sujeito. Em lugar de uma razão contemplativa, orientada desinteressadamente para a busca da verdade, onde busca-se o conhecimento pelo prazer de conhecer, aparece uma razão instrumental onde à mera observação, acrescenta-se um procedimento ativo onde conhecer é controlar e dominar a natureza e os seres humanos. Atormentar a natureza e fazê-la reagir a condições artificiais, criadas pelo homem. Atormentar a natureza é conhecer seus segredos para dominá-la e transformá-la. A ciência se torna instrumental deixando de ser uma forma de aceso aos conhecimentos verdadeiros e se tornando um instrumento de dominação e exploração.

Segundo o pensamento de Bacon, não basta a observação pura e simples. É importante também que haja regras metodológicas para a prática científica. Para Descartes, a dúvida metódica é o procedimento fundamental: desconfiar de tudo.

Esboça-se com mais clareza: 1. o surgimento da razão instrumental, 2. o surgimento da noção de indivíduo, 3. a noção da consciência/razão, como critério de verdade. Nesse contexto surge a idéia da loucura (no início do séc. XVII). Até então, o louco era o doente, o diferente. Nesse sentido, a loucura não atinge o pensamento, pois são excludentes. O louco não tem a capacidade de pensar, ou seja, é um animal que perdeu a racionalidade. Identificado com o animal, o louco é tratado com técnicas utilizadas para domar animais. Busca-se por uma tentativa de apontar se o indivíduo era ou não louco, sem se preocupar com as causas. A cura não é, nesse caso, interessante, mas o confinamento, o controle disciplinar do indivíduo.

No século XIX a Psiquiatria era capaz de identificar a loucura, mas não sabia o que era. Moreu de Tours (Psiquiatra Francês) faz experimentos com haxixe e estabelece a idéia de que a loucura pode ser produzida experimentalmente. Mais do que isso, ele diz que nem é preciso produzir artificialmente a loucura: é possível encontrá-la em nós cada vez que sonhamos. “O louco é um sonhador acordado”. “o sonho é a loucura do indivíduo adormecido”.

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