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jun 14

Quando a morte é mais significativa que a vida.

dia+morte+jesus“Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Alegrai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós” (Mateus 5:11-12)

Eu tenho me preocupado com a banalização da violência e com certa generalização que se faz ao se comparar atos violentos de origens distintas.

Fomos surpreendidos com um fato cruel: atentado a uma boite de LGBTs, nos EUA. A dor de quem sofreu a perda, ainda é grande e já se começa a fazer comparações.

Foi dito que ninguém se preocupa com cristãos que são mortos pelos extremistas religiosos, mas que deram extremado valor a gays que foram mortos por um extremista.

Preocupo-me com essa reclamação mal estabelecida ao se dizer “quando é um cristão ninguém se importa”, como se cristão fosse mais ser humano que LGBTs.

Precisamos nos indignar sim, com a morte, seja de cristãos, LGBTs, muçulmanos, ateus, enfim, com a morte sem sentido de um ser humano.

Mas pensando como cristão, faço uma análise, sem nenhum comprometimento exegético daquilo que foi dito sobre o caminhar do cristão sobre a terra. Textos como “Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos céus”. Mateus 5:10, ou ainda “De fato, todos os que desejam viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos”. 2 Timóteo 3:12, parecem mostrar que a morte de um cristão, mesmo sendo uma ação violenta, já era algo previsto.

Nesse sentido, nos causa indignação a morte de um cristão, não somente pelo fato dele ser cristão, mas pelo fato dele ser humano. Desta forma, não penso que seja um bom exercício de piedade, em momentos como esses, reclamar por que seres humanos se compadecem da morte de outros seres humanos.

Talvez a pergunta que se faça é: “por que então, não se compadecem da morte de cristãos?” E a resposta melhor talvez seja: “quem disse que não se compadece?”

Mas, se de fato não há compaixão na morte de um cristão, há de se esperar que ele, o cristão, saiba que o caminho do cristão é esse mesmo, de morte para gerar vida.

Ficar medindo qual morte é mais significativa é uma perda de tempo. A vida é significativa, a morte não. A busca por uma percepção de a morte de um grupo é mais importante do que a morte de outro grupo, faz parecer que a morte é mais significativa que a vida.

Eu creio que, quando Deus olha para esta terra, vendo morte de LGBTs e de cristãos, não fica mensurando qual foi a mais importante, pois no fim de tudo, ele criou todos os homens, sejam eles cristãos ou LGBTs e e em um único gesto de relacionamento e amor, enviou seu filho que morreu na cruz, por toda a humanidade.

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