Quero ser como Laodicéia.

“Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com meu Pai no seu trono.” Apocalipse de João 3.21Em algumas situações, nós que somos crentes em Jesus Cristo, temos o defeito de criticar as pessoas que estão fracas na fé, que se sentem frias e apáticas. Chegamos ao cúmulo de determinar, em alguns casos que não há mais chance para elas. Criamos um padrão de santidade, de conduta e o classificamos como sendo O padrão. Nessa busca por um padrão de vida que na maioria das vezes satisfaz mais a criatura que o criador, não são poucas as vezes em que atropelamos com nossos conceitos e pré conceitos pessoas que precisam de nossas mãos estendidas.

Quero pensar um pouco sobre as cartas registradas no Apocalipse de João, mas especificamente na carta escrita à igreja em Laodicéia.

Quando aprendemos o significado histórico-profético dessas cartas, fazemos logo nossas escolhas. Queremos ser Esmirna, ou Filadélfia. Sobre essas duas igrejas não coube o peso de uma condenação do Mestre. Dentre todas, ninguém quer ser Laodicéia e só lembramos dela invariavelmente quando temos que classificar uma igreja que já não caminha mais como deveria ou um irmão que falha.

Há, entretanto algumas coisas que ignoramos em Laodicéia e que acho interessante pensar aqui.

Mesmo que ela não tenha elogios e tenha recebido condenações do Mestre, percebo nitidamente o cuidado de quem tem tudo sob a sua visão e controle. Percebo que o Mestre tem um cuidado com esta igreja ainda que incisivamente Ele se sente a ponto de vomitá-la de sua boca.

Jesus usa o conceito de água morna, pois sabia que isso seria facilmente entendido pelos leitores da carta. A cidade não possuía boas fontes de água potável e trazia de duas cidades vizinhas as suas águas. O grande problema é que numa cidade havia água fria, em outra havia água quente. Do resultado dessas duas qualidades de água, e mais a associação de dutos antigos surgia a água que Laodicéia bebia: Morna.

Isso me leva a pensar que quando nós criamos um padrão de conduta e santidade e decretamos que quem não se encontra nesse padrão não tem mais chance, acabamos por nos situar exatamente na posição de Laodicéia. Falamos que amamos (quente), entretanto julgamos (frio). Falamos que somos servos prontos a servir (quente), mas agimos somente com a língua (frio). Essa atitude, ao contrário de nos fazer Esmirna ou Filadélfia, nos faz Laodicéia.

Um outro aspecto abordado pelo Mestre refere-se à falsa sensação de poder de Laodicéia. Sentiam-se ricos e poderosos. Possuíam muitas minas de ouro. Produziam um remédio muito eficaz para doenças oculares e auditivas, mas na perspectiva Divina eram infelizes, miseráveis, pobres, cegos e nus e o pior disso tudo é que eles não sabiam disso.

O Mestre, que no quadro anterior, somente sente vontade de vomitar, neste já apresenta algumas soluções. E são exatamente essas soluções apresentadas pelo mestre que me levantam algumas questões? Se a situação era a tão ruim, por que o interesse em apresentar soluções? Se já estava dando nojo por suas atitudes, por que dispensar algum tipo de cuidado? A resposta está no fato de que a repreensão estava destinada aquela de quem se tinha amor. Nosso senso de justiça, nosso padrão de conduta diria: “não tem mais alternativas, não tem mais retorno”, o Mestre diz: “eu repreendo por amor, arrependa-se”.

Em um terceiro momento, o Mestre identifica-se como alguém que não está no meio da igreja. Ele se declara impedido de entrar em sua própria igreja. “… estou a porta e bato…”. Quem não conhece intimamente o Mestre, diria que Ele é fraco, pois sendo Deus, não consegue entrar em Laodicéia. Longe de ser fraco Ele demonstra cuidado e carinho. Não invade, bate a porta. Aguarda que alguém abra a porta e comece a ceia.

Mesmo que não tenha recebido nenhum elogio e que tenha sido duramente repreendida, Laodicéia recebe uma promessa totalmente diferente das proferidas as outras igrejas. A Laodicéia é dito: se você vencer, vou fazer com você o que Deus fez comigo. Se você vencer, assim como eu venci, eu te colocarei assentado no meu trono, assim como eu venci e fui colocado no trono de Deus.

O Mestre nos convida a sermos fiéis e é exatamente isso que Ele espera de nós. Mas Ele mesmo sabe, por ser um homem experimentado em dores, que teremos nossas falhas, nossos deslizes e que somos carentes de sua repreensão por sermos carentes de seu amor. Ele sabe que nossas riquezas, nosso poder são efêmeros. Ele sabe também, que em determinadas situações nem percebemos o quanto somos Laodicéia, mesmo que pensemos ser Esmirna ou Filadélfia. No convite do mestre de comprar ouro de melhor qualidade – eterno, vestiduras brancas – celestiais e colírio – visão de Deus, está inserido o desejo de que nossa porta seja aberta. E quando Ele entrar, a festa começará e nunca mais terá fim.

Já me decidi. Quero ser como Laodicéia. Não há como negar minhas imperfeições. Não há como negar meus erros. Não há como negar diante de quem sabe todas as coisas as minhas carências. Mas quero ser a Laodicéia que reconhece, muda de valores, enxerga melhor e abre a porta. Quero, no fim de tudo saber que abrindo a porta ao Mestre numa atitude de arrependimento, o trono do Mestre será o meu trono também.

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