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abr 03

Retornando ao caminho da verdadeira adoração

13/02/2011 – Terceira Igreja Batista em Anchieta – Manhã

Texto: João 4: 19-26

19. Disse-lhe a mulher: Senhor, vejo que és profeta. 20. Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar. 21. Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. 22. Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus. 23. Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. 24. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade. 25. A mulher disse-lhe: Eu sei que o Messias (que se chama o Cristo) vem; quando ele vier, nos anunciará tudo. 26. Jesus disse-lhe: Eu o sou, eu que falo contigo.

Introdução

06/06/2006 – Dia do louvor violento.

Parece um tanto quanto absurdo, mas esse dia de fato aconteceu. Um grupo de evangélicos alardeou pelos quatro cantos que esse dia deveria ser um dia diferente, onde um exército de adoradores se levantaria por toda a face da terra para que, através do louvor frustrassem as intenções do diabo. Nesse dia também, em três horários estrategicamente escolhidos, segundo esses evangélicos, Deus exigiria que três toques de shofares fossem ecoados por toda a terra a meia noite, as três horas e as seis horas da manhã,  em seus respectivos fuso horários. Sendo assim, milhares e milhares de shofares estariam sendo tocados trazendo assim alegria ao coração de Jesus. Triste ilusão pensar que as artimanhas de satanás podem ser frustradas com louvores, toques de trombetas, o que mais quisermos fazer. Em Mateus 4.4, encontrarmos Jesus, após ter orado e jejuado por quarenta dias e quarenta noites e, sendo tentado pelo diabo, vencendo o mesmo através da Palavra. “… Está escrito: nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que procede da boca de Deus.”

    Qual é então, o caminho da verdadeira adoração? O que significa retornar ao caminho da verdadeira adoração?

    O caminho da verdadeira adoração passa pelo sofrimento

Uma das coisas que mais incomoda o ser humano é o desprezo. Queremos de alguma forma ser notados, ser amados, ser necessários a alguém ou alguma instituição. Por mais tímidos que nós sejamos, entrar e sair de um ambiente sem que ninguém sinta a nossa presença é no mínimo constrangedor. Pessoas mais suscetíveis em receber no seu emocional a tristeza do desprezo, podem entrar bem em um ambiente e sair muito mal dele, se perceber que foi desprezada de alguma forma. Algumas procurarão o pastor da igreja e desaguarão suas mágoas; outras procurarão um profissional de psicologia e através de um processo de cartase, purgar o sentimento que foi criado e outras simplesmente desaparecerão como se nunca tivesse existido.

Havia um profundo desprezo dos judeus para com os samaritanos e tentava-se justificar isso pelo fato de que os samaritanos terem se deixado influenciar e se misturar com povos de outras nações. Nesse orgulho religioso nacionalista, os judeus mantiveram-se afastados de seus próprios irmãos, samaritanos. Podemos imaginar o sofrimento que esse tipo de desprezo tenha causado tanto na esfera emocional, quanto na esfera espiritual daquele povo segregado na sua própria terra. Muitas vezes, somos levados por caminhos de sofrimento para conseguirmos enxergar o verdadeiro motivo da adoração a Deus. Outras vezes, somos levados a caminhos que desconhecemos para poder adorar. Isso aconteceu com Abraão, que tendo saído da sua terra, vai para uma terra que nem mesmo Deus havia dito onde era. Quem já se mudou, sabendo onde seria a nova casa, sabe de toda ansiedade que uma mudança de bairro, ou de cidade, ou de pais pode causar. Imagine mudar de lugar, sem saber qual o lugar para onde ir. Mesmo com todo esse desconforto, Abraão foi, e pode adorar ao Senhor naquela terra.

O caminho do sofrimento é um dos meios pelos quais, Deus tem nos ensinado a reconhecer o seu cuidado para conosco.

Não há aqui nenhuma conotação masoquista ou autopunitiva, ou ainda nenhuma idéia de se pagar algum preço, mas a certeza de que em meio a qualquer sofrimento, Deus jamais nos abandona, e mesmo que sejamos desprezados por todos, ele não nos desprezará

    O caminho da verdadeira adoração quebra preconceitos e valoriza o ser humano.

A atitude mais natural de Jesus seria de desprezar aquela mulher. Afinal de contas, Jesus era Judeu, e os judeus desprezavam os samaritanos. Ao ver a mulher chegando, ele simplesmente poderia se levantar e sair dali sem sequer dar conhecimento de que a havia visto. Provavelmente ela estava acostumada a este tipo de tratamento. Isto pode ser observado, quando, Ele tendo pedido água para beber, é retrucado por ela que diz “como, sendo tu judeu, pedes de beber Amim que sou MULHER SAMARITANA”. É interessante como o texto deixa duas coisas que mereciam o desprezo naquele tempo: ela era MULHER e ela era SAMARITANA. Na sociedade judaica a mulher era desprezada pelo simples fato de ser mulher. O desprezo era tanto, tendo sido necessário que Moisés legislasse a respeito da mulher que era desprezada e abandonada pelo marido – Mateus 19:8. Mesmo assim, a mulher não obteve seu espaço como pessoa, até que Jesus viesse a este mundo e resgatasse o valor da mulher. Mesmo assim, não é difícil encontrar em nossas próprias igrejas, uma sociedade machista que despreza a mulher, pelo simples fato dela ser mulher. Tal como a mulher que fora pega em flagrante adultério, e levada a julgamento sem a presença daquele que adulterou com ela, infelizmente ainda ouvimos em situações como essa que “ele, coitado, cometeu esse deslize porque não era bem cuidado por sua mulher”, mas quando o deslize acontece com ela, “é porque ela é uma desavergonhada”, isso pra não dizer outros adjetivos que, sem a menor clemência, são proferidos em situações como essa que descrevo.

Jesus, no entanto, não segue o senso comum daquele povo. No lugar de desprezo, se mostra dependente em certo sentido daquela a quem supostamente deveria desprezar. Toda carga de preconceitos exercidos sobre aquela mulher pelo fato de ser mulher e pelo fato de ser samaritana, passa por Jesus como se não existisse e Ele simplesmente pede para logo depois poder dar. “se conhecesses quem é que te pede: dá-me de beber, tu lhe pedirias e ele te daria água viva”. Jesus quebra os preconceitos da raça pura, da religião pura, da adoração no lugar certo para convidá-la a verdadeira adoração e ainda termina dizendo “eu o sou (o messias) que falo contigo”.

    O caminho da verdadeira adoração ignora formas, moldes e lugares de adoração.

Estamos acostumados a pensar que adoração é aquilo que fazemos em nossas igrejas. Cantamos, erguemos os braços, movimentamos os corpos, batemos palmas e nos derramamos em lágrimas, acreditando sinceramente que isso é que move o coração de Deus. Depois disso, muitos sequer têm um mínimo de paciência, pra não dizer devoção de ouvir a palavra de Deus sendo pregada. Outros sairão das igrejas e viverão suas vidas cotidianas na mesma perspectiva vazia e sem sentido não tendo mudado em nada daquilo que era quando entrou na igreja. É preciso então, encontrar o verdadeiro caminho da adoração.

Para aquela mulher, o lugar da adoração era o monte Gerizim. Era isso que seus pais haviam ensinado. Provavelmente, tal como nós, ela também possuía uma forma específica para adorar a Deus. Tal como nós, ela tinha formas, moldes e lugares de adoração. Possivelmente ela tinha até seu posicionamento quanto as pessoas que adoravam diferente da forma dela. Nós também somos assim. Jesus então, numa atitude firme, mas sem querer ser exclusivista, mostra-lhe a verdade sobre a adoração: “os verdadeiros adoradores, adorarão o Pai em espírito e em verdade.” Adorar o Pai em espírito e em verdade, não passa pelas nossas formas, moldes e lugares de adoração, pois tudo isso é fruto da nossa religiosidade e não da nossa religião. Nossa religiosidade pra Deus é como esterco, ao passo que nossa religião é Cristo o seu filho amado. Adorar o Pai em espírito e em verdade leva-nos a romper com nossa existência e se preciso for morrermos em vida para que o Pai seja glorificado em nossas vidas, mortas para o pecado e vivas para Deus.  Quando adoramos o Pai em espírito e em verdade, sequer nos preocupamos, se os instrumentos estão afinados ou se o microfone está funcionando, pois quando retornamos ao caminho da verdadeira adoração, guitarras, baixos, baterias, teclados deixam de ser importantes e nós passamos a ser os instrumentos na adoração. Quando adoramos o Pai em espírito e em verdade, ainda que não saia som das nossas bocas, Ele, o Pai, receberá o nosso louvor, pois somente Ele pode interpretar tudo que queremos expressar em adoração antes que haja em nós palavras.

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