Sobre a reforma e o dia das bruxas: um pouco da história que a história não conta.

1382987_755031717912220_2019329399226365391_n

Em um dia como o de hoje, há algum tempo atrás, eu escrevia algo que enaltecesse um movimento deflagrado por um monge alemão no século XVI. Trata-se da Reforma Protestante.

Buscando pela história, você encontrará referências a este movimento, como sendo um movimento de ruptura com a estrutura da igreja medieval, a igreja católica, e a partir desta ruptura a instauração de um novo momento na história da igreja cristã, como profundas mudanças que favorecia o povo. Encontrará também, várias afirmações positivas à coragem de Martinho Lutero em enfrentar o poder da igreja medieval, colocando sua própria vida em risco, para que hoje tivéssemos a liberdade de examinar as escrituras e retirar dela, sem intermediário algum, ensinamentos para nossas vidas.

Essa é a verdade histórica, e como toda verdade histórica, pode não contemplar toda a verdade. O fato histórico é sempre contato a partir dos vencedores.

Não podemos negar a importância da reforma protestante com fato social e religioso, entretanto, se fizermos uma análise mais precisa do momento da reforma deflagrada por Lutero, encontraremos indícios de que o homem que desejava que todos pudessem praticar um livre exame das escrituras, de fato não agiu o tempo todo dessa forma.

Por não concordar com a forma como os camponeses interpretavam as escrituras, o momento histórico e a ação da igreja na vida cotidiana, Martinho Lutero foi capaz de consentir e até mesmo incentivar um das maiores chacinas em nome de Deus.
Mesmo tendo renegado as torturas e fogueiras da inquisição, o nobre monge, por sua vez, soube como ser perverso o suficiente contra aqueles que pensavam diferente do seu pensamento reformador, e, em certo sentido, inquisidor.

A história continua, e nos mostra nos séculos que se passaram, e, especificamente no momento presente, que pensar diferente da cúpula repressora da igreja cristã ainda produz queimaduras inquisitoriais, se não na carne, na alma.
Hoje os fundamentos da reforma, sola fide (somente a fé), sola scriptura (somente as escrituras), solus Christus (somente Cristo), sola gratia (somente a graça) e soli Deo glori(glória somente a Deus) parecem ser somente palavras e nada mais.

Parte da igreja de hoje é fetichista, logo, não é somente a fé.
Parte da igreja de hoje aceita o palavrório dos líderes religiosos como palavra de Deus, logo, não é somente a escritura.
Parte da igreja de hoje adora seus ídolos, na figura de seus líderes e cantores, logo, não é somente Cristo.
Parte da igreja de hoje estipula o que precisa ser feito para ser salvo, logo, não é somente a graça.
Parte da igreja de hoje aceita para si os elogios por ser instrumento de mudança, logo, não é glória somente a Deus.

Se me perguntarem se há falhas a serem corrigidas na igreja católica, eu direi que sim, mas não me enganarei, nem enganarei a ninguém dizendo que a igreja protestante, por ter se desvinculado da igreja católica se tornou uma igreja melhor.

Há muito o que fazer, muito o que corrigir. Se não fizermos isso e rápido, comemorar o dia da reforma protestante será no mínimo um contrassenso.

Deixe um comentário

Seu e-mail não será publicado.


− 4 = quatro